Minha mãe estava animada a toa, como quase sempre, qualquer coisa animava ela. Os Lakers ganharam! Os Knicks ganharam! Não importa o time, qualquer coisa acontecia e ela já se animava. Eu não sou muito fã disso. Ela acaba gastando muito com isso, mas eu melhorei a minha cara quando entendi o que causara a festa da vez.
Esse era um bom motivo. Sorri animado e abracei apertado meu vizinho, mais apertado e por mais tempo que deveria, também, não era pra menos, seu cheiro, sua pele… Ai, respirei fundo e me controlei, me distanciando dele e pegando uma taça. – Ao novo contrato do Brandon!
Sorri, oferecendo um brinde e roubando a oportunidade dos dois de o fazerem, sem nem pensar nisso. Tudo que eu sabia era que eu estava muito feliz por ele. Ele ia poder gravar mais músicas, como ele tinha dito que queria tanto na vez em que comentamos sua curta carreira na indústria musical e talvez ele pudesse abrir caminho pra mim no futuro se fizer sucesso. Todos ganham no final e eu comecei a pensar em algo a mais que poderia ser uma boa comemoração.
Eu tinha acabado de tomar um banho longo e gostoso, após ver Brandon chegar do apartamento pela janela. Eu sei que pode parecer meio perseguidor eu saber o horário que ele chega a casa e ficar esperando, mas… É melhor da época em que eu quebrava as coisas aqui de casa pra poder o chamar pra consertar. E sim, eu já fiz isso, eu era um adolescente estúpido.
O caso é, eu estava me secando e me controlando pra não me animar de novo lembrando do meu vizinho quando minha mãe me chamou. Respirei fundo, me acalmei, coloquei uma cueca preta e descendo pra ver o que ela queria. Quando me deparei com o moreno sorridente na cozinha, eu quase soltei um grito, antes de correr de volta do meu quarto, respirando fundo e tendo que ir atrás da minha bombinha de asma antes de colocar uma bermuda e descer fingindo naturalidade.
- Boa noite! – Disse entrando na cozinha sem olhar pra Brandon, senão ficaria hipnotizado e indo direto até a geladeira, procurando algo pra beliscar. – O que acontece? – Perguntei curioso, lembrando que tinha esquecido de por os óculos, o que era uma coisa boa, talvez eu ficasse mais bonito pra ele e se eu não enxergar bem ele, eu não vou encarar ele, né?

Derek sempre foi mais próximo de mulheres, tinha apenas a mãe, sempre foi filho único e ela mesma não era muito presente, tinha conseguido um emprego bom, então deixava o filho muito tempo sozinho em casa. Derek sempre teve que se virar ser independente, a mãe até chamava diaristas, mas essas só limpavam a pequena casa e logo, à medida que ela notou que o filho estava grande o suficiente e não se importava, ele assumiu o trabalho, recebendo uma mesada por isso.
Ainda antes dos dez anos, Derek teve um hábito desagradável de ser lembrado pela mãe. O de roubar. Ele sempre foi esperto o suficiente pra traquinar como roubar. A ideia era roubar de comércios, nunca de pessoas, já que ele se preocupava em não dar danos a quem roubava, ele desejava apenas o lucro de se ter o que seu dinheiro não podia comprar e a adrenalina, o orgulho de ter conseguido. Hoje ele sabe que isso não fazia do seu hábito algo correto.
É claro que ele perguntou do pai algumas vezes, mas na realidade nunca teve um grande real interesse, sua mãe nunca falou muito sobre o marido e Derek à medida que se tornou um adolescente adquiriu um sentimento de raiva pelo progenitor, já que este o havia abandonado.
Ele se aproximou do seu vizinho, Brandon, reconhecendo o rosto do clipe de uma música famosa ao menos uma década atrás, ao que parecia, o único sucesso do mais velho. Eles se falaram algumas vezes, mas Derek se sentia bem mais próximo de Brandon do que ele imaginava, ele olhava o vizinho como alguém que ele queria viver o resto da vida. Brandon era sério, mas ainda assim sonhador, animado e gay. Como seria mais perfeito? Derek só não gostava do fato que ele via qualquer cara ir pro quarto de Brandon, sair do apartamento de manhã… Menos ele.
O garoto chegou a se olhar no espelho e dizer que como se sentia pelo vizinho era errado, que ele não devia se sentir assim por um homem tão mais velho, principalmente estando comprometido com um cara também mais velho, mas não tanto. Derek estava namorando o professor recém-formado de geografia em segredo, mas uma hora ou outra ele deixou isso pra lá, afinal uma paixão platônica não era nada demais e então o vizinho morreu.
O moreno nunca fora alguém que conhecia todo mundo na escola, muito pelo contrário, ele conhecia e falava com poucas pessoas e poucas pessoas sabiam quem ele era. Com o tempo isso mudou um pouco, o garoto começou a ser reconhecido pelo seu jeito doce, gentil, prestativo e sua aparência não era de toda ruim, no fim.
Ele pensou que estava tudo bem por lá, até encontrar com um garoto novo. O problema é que ele não parecia novo pra Derek, no seu coração o garoto de óculos sabia que conhecia aqueles olhares que recebia de volta toda vez que olhava para o garoto de olhos azuis que viravam diretamente pra ele. Ella precisou lhe lembrar que se tratava de Skye, o garoto que eles mau conheciam e comia literalmente qualquer coisa, mas Derek soube ao olhar pra ele, aquele não era Skye, tinha algo diferente nele, em sua aura, em seu jeito e o que era aquela sensação que ele sentia?